sábado, 19 de dezembro de 2009

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

a merda e um deus.

Sem o menor preparo teológico, espontaneamente a criança que eu era então já compreendia, portanto, que existe incompatibilidade entre a merda e Deus e, conseqüentemente, percebia a fragilidade da tese fundamental da antropologia cristã segundo a qual o homem foi criado à imagem de Deus. Das duas uma: ou o homem foi criado à imagem de Deus e então Deus tem intestinos, ou Deus não tem intestinos e o homem não se parece com ele.

Os antigos gnósticos sentiam isso tão claramente quanto eu aos cinco anos. Para resolver esse maldito problema, Valentim, grão-mestre da gnose do século II, afirmava que Jesus 'comia, bebia, mas absolutamente não defecava'.

A merda é um problema teológico mais espinhoso que o mal. Deus deu liberdade ao homem e, portanto, podemos admitir que ele não é o responsável pelos crimes da humanidade. Mas a responsabilidade pela merda cabe inteiramente àquele que criou o homem, e somente a ele.

(...)

O debate entre os que afirmam que o universo foi criado por Deus e aqueles que pensam que o universo apareceu por si mesmo implica coisas que vão além de nossa compreensão e experiência. Muito mais real é a diferença entre aqueles que contestam a existência tal como foi dada ao homem (pouco importa como e por quem) e aqueles que aderem a ela sem reservas.

Por trás de todas as crenças européias, sejam religiosas ou políticas, está o primeiro capítulo do Gênese, a ensinar que o mundo foi criado como devia ser, que o ser humano é bom e que, portanto, deve procriar. Chamemos essa crença fundamental de acordo categórico com o ser.

Se, ainda recentemente, a palavra merda era substituída nos livros por reticências, isso não se devia a razões morais. Afinal de contas, não se pode considerar que a merda seja imoral! A objeção à merda é de ordem metafísica. Defecar é dar uma prova cotidiana do caráter inaceitável da Criação. Das duas uma: ou a merda é aceitável (e, nesse caso, não precisamos nos trancar no banheiro), ou Deus nos criou de maneira inadmissível.

Segue-se que o acordo categórico com o ser tem por ideal um mundo no qual a merda é negada e no qual cada um de nós se comporta como se ela não existisse. Esse ideal estético se chama kitsch.

Esta é uma palavra alemã que apareceu em meados do sentimental século XIX e que, em seguida, se espalhou por todas as línguas. O uso repetido da palavra fez com que se apagasse seu sentido metafísico original: em essência, o kitsch é a negação absoluta da merda; tanto no sentido literal quanto no sentido figurado: o kitsch exclui de seu campo visual tudo que a existência humana tem de essencialmente inaceitável.



(a insustentável leveza do ser)

domingo, 13 de dezembro de 2009

sábado, 12 de dezembro de 2009

sem nome.

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Em vez de destruir a flor, de esmigalhá-la num furor agora já adiado, ela tem é uma vontade de agarrá-la com tal força, numa fúria total de apreensão e posse, que quase o faz, na compulsão do instante, antecipando aquela cor vivaz manchando os dedos de luxúria suave, mas, ao mesmo tempo, temendo a física ferida dos espinhos. Recoloca a flor no copo e tem ali, lado a lado, a garrafa transparente, quase como vazia, e o copo cuja líquida limpidez se tingia, de súbito, de uma sofreguidão dourada. Tudo isso era o mundo concentrado naquele ponto, sem mais apelos, a demandar sentidos. De repente, ela treme com uma febre. Do umbigo da sensação, lhe vinha algo que vibrava quente, estabanado, abrindo, involuntariamente, os poros de seu corpo, e um calor se adiantava nos músculos inertes, mas quase trêmulos em seu ardor velado, que anunciava alguma coisa que não tinha nome.

scarlett and pete





porque ele são umas gracinhas e eu amo gracinhas.

o amor

a máquina.

Se pudesse escolher eu seria esse ruivão de 1,80. Florence and The Machine anima meu dia.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

dá raiva até.

Descobri que gente bonita anda tudo junto.
Aqui a Kate Moss e VV - para os íntimos - ou Alisson Mosshart do The Kills. Sofri.